Wednesday, August 30, 2006

Das coisas que trago em mim...












Esse texto na realidade não é meu... Assim como alguns poemas que escrevi, ele surgiu inteiro na minha mente e em questão de minutos estava pronto. Tanto esse texto quanto os poemas a que me referi antes, nasceram graças a uma pessoa muito especial que (re)apareceu na minha vida. Eu o dedico a minha Adorável Menina das Neves, que tanto me encanta com seu jeito, seu sorriso e seus detalhes...
Esse texto é seu, itoshi...

Era segunda-feira...
Ele acordou e a manhã lhe pareceu cinza. Seu primeiro pensamento foi para ela.
Sentiu-se frágil, mas não mal... sozinho, mas não abandonado...
Embora não desejasse aquela partida, embora não quisesse aquela separação, no fundo ele sabia que tudo não poderia ter ocorrido de forma mais doce, mais suave.
Cada palavra, cada gesto e sorriso estava gravado de forma indelével dentro dele.
Não sabia esquecer ainda... não podia esquecer ainda.
Mas trazia também dentro de si um enorme carinho, e a certeza de que tudo o que aconteceu foi bonito e seria sempre algo que ninguém poderia tirar deles.
É triste ter que se afastar de alguém a quem se ama... é dificil lidar com a sensação de perda, de vazio, mas nada pode apagar as boas lembranças.
Ele sabia, sentia que tudo ia ficar bem.
E o sorriso dela sempre estaria com ele...

Alessandro

Tuesday, August 22, 2006

Rubem Fonseca




















Um fragmento de Rubem Fonseca que parece combinar com o que eu sinto agora... só isso por hoje...

"Uma coisa horrível que existe no mundo é o fato dos jovens não terem liberdade para amar. Mas pior ainda do que isso é o fato que eles não sabem amar; e no entanto foram feitos para o amor: uns fogem do amor e outros o procuram com sofreguidão, mas no fim o que fica, em todos, é a mesma coisa, uma insuportável sensação de vazio..."

Sunday, August 20, 2006

HIPERTESÃO ARTERIAL CRÔNICO














Sabe, você me desestabiliza de uma tal forma estranha, que nem parece normal. Um caso típico mental, de hipertesão arterial crônico. Um troço meio eletrônico, tipo amor virtual, ou amor neanderthal, de te arrastar pelos cabelos, de vender todos os meus camelos pra poder te comprar, como um milk-shake dos desertos arábicos e passar mil e uma noites do teu lado...
Mas de repente tudo fica estranho e eu não ganho beijo de boa noite antes de dormir contigo? Mas meu amigo, vou te falar... e você acorda mal humorada pra caralho e essa é uma palavra dura, pura besteira tua implicar com isso de eu te seguir, como se te ver partir já não fosse triste o bastante...
Mas o pior mesmo é não te ver voltar e você ainda chega reclamando, e eu te acho linda demais pra isso mesmo, mesmo que eu nem saiba o que é isso. Mas meu desejo por ti não tem fim, eu vou só até a esquina comprar cigarros e os carros não param de passar e nem eu de te desejar, com é que pode ser assim...?
No fim está tudo escrito certo na linha torta, basta deixar a porta aberta que eu desapareço no teu quarto pra afundar na sua cama de gata... logo eu, que não sei nadar nem sei de nada... Ô mulher danada, que me enlouquece e me alucina... diabo de mulher mofina que me emputece... ô peste de mulher coisada...


Alessandro

Hai Kai




















Noite estrelada
Chamei amor
escutei nada

Alessandro

Antes da primavera


















Engraçado como às vezes as palavras de outras pessoas parecem combinar exatamente com nosso estado de espírito, como se outros pudessem saber o que se passa dentro da gente. Essa bela poesia é de um professor e amigo lá da faculdade, Aluísio Barros, pessoa de sensibilidade extrema e caráter ímpar... obrigado, Aluísio, por dar voz a certos sentimentos...

Quero brincar com teus olhos
e tentar reencontrar cantigas
com cheiro de lençol guardado.

Quero entrar nos teus olhos
e deixar-me por eles ser varado
feito sol e manhã, chuva e vento.

Quero ganhar-me em teus braços
e acordar rejuvenescido e viçoso
tal a flor que nasce e se entrega,
corpo e alma,
para o dia sem importar-se com a tarde
que lhe roubará o viçoe lhe fechará os olhos para a outra manhã
que será varada pelo sol, chuva e ventania.

Quero perder-me dentro de ti.
E se nada sobrar desta fantasia
contentar-me-ei com estes versos
feitos sobre este sopro que me trouxestes
numa tarde em que tudo parecia perdido.

Resignação...


Parafraseando Neruda, que esse sim sabia de versos e essas coisas poéticas, eu lhes digo que hoje eu poderia escrever os versos mais tristes... Poderia...
Mas minha poesia não chega a tanto. Me falta habilidade... me falta arte...
Só resta então me resignar e escutar um tango.
Às vezes um bom silêncio diz tudo...

Leminski bem o sabia:

LÁPIDE 1 epitáfio para o corpo
Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.

REFLEXÕES II















Vida, vida,
Vida vazia.
Se eu me chamasse João
E você se chamasse Maria
Já pensou que merda seria?

Alessandro

Amor sem rima...
















Gastei meu chinelo de pé
Pra te seguir, mulher
E você nem me notou.

Comprei a cor mais bela
Te pintei em uma tela
E você nem reparou.

Te segui até Miami
Pra te pedir que me ame
E você nem me escutou.

Eu roubei até a lua
Pra botar na tua rua
E nem assim você olhou.

Então eu fiz esse poema obscuro
E estou pregando no teu muro
Esse amor que não rimou.


Alessandro

Amor gramático














Se você nao fosse
tão analítica,
tão sintagmática...

se você fosse mais completiva
menos nominal...

se todo não fosse assim tão drástico,
tão pleonástico...

se pudessemos ser
mais adjuntos
mais complementares...

talvez,
denotativamente falando,
esse amor não fosse
algo assim:
tão gramático...

Alessandro

REFLEXÕES




















João amava Maria
Que amava Luizão
Que consertava televisão.
Luzia, que é uma vadia,
Amava Maria e amava Amaral
(Luzia era bissexual).
João amava Maria,
Amaral amava Maria
E luzia (a vadia)
Amava Maria também.
E Maria amava Luizão
Que consertava televisão
E não amava ninguém.

Alessandro Paiva

Monólogo... (de liberdade e afins)


O que sou na realidade senão um tolo?
um parvo... apenas uma sombra, que em alguns momentos se permite ilusões de grandeza...
Vivo, mas até aí, tantos outros fazem o mesmo, que nem chega a ser algo tão empolgante assim. Perdido entre álcool, cigarros, drogas lícitas ou ilícitas, mas ainda assim drogas... buscando uma leve ilusão... mas não aquela ilusão de liberdade tão almejada por alguns, não essa ilusão...
Não me apetece certa liberdade...
Às vezes determinado tipo de liberdade tem um gosto tão amargo que eu bem queria não ter que prová-la.
Ser sozinho, estar sozinho no meio de uma multidão não me agrada tanto. Fazer planos no turbilhão dessa vidinha um tanto quanto inútil é sim uma realidade agradável... mas os planos se tornam mais sutis e mais doces quando compartilhados, sem que pra isso se abra mão de qualquer tipo de individualidade...
Rejeito essa liberdade de ser só... rejeito não amar, não compartilhar, rejeito estar longe do que eu gosto...
Mas o medo existe. A liberdade é uma fuga desse nosso medo cotidiano.
Sou um parvo.
Sei que o sou e isso me dói.
Não queria ser assim. Queria sentir menos.
Talvez ser mais livre, se isso significasse se machucar menos.
Queria não ser tolo, não ser romântico, queria simplesmente não ser...
Mas é tao difícil essa liberdade para nós, os parvos... os tolos que não aprenderam a ser livres.

Alessandro

NADA




















De ti,
nada tenho no momento,
a não ser a saudade,
a dor,
o pensamento...

No momento,
nada tenho também de mim,
pois tudo que sou
(ou que fui)
anda meio perdido,
esquecido no caos de meus sentimentos...
esmagado pelo peso
de tudo que existe...

nada tenho agora,
de ti ou de mim,
além desse desejo,
transformado em palavras
que ardem como o fogo
queimando tudo
que posso ser...

Alessandro

Todos os dias (bem à tardinha...)




















Todos os dias
(bem à tardinha)
a linda menina caminha,
devagar,
por entre as flores do seu jardim,
para ver o sol se pôr...

Todos os dias
(sempre à tardinha)
por entre as nuvens escarlates,
o sol se põe devagar,
só para ver
a linda menina sorrir...


Alessandro

Thursday, August 17, 2006

Ascensão x Queda




















do Lat. ascensione
s. f.,
acto de ascender;
subida;
promoção;
festa religiosa
em que é comemorada a elevação de Cristo ao céu;
o dia dessa festa.


Ascender é fácil...
Cair em desgraça é que não é pra qualquer um...

(Quadro 'The ascension of Christ'-Salvador Dalí-1958)

Tuesday, August 15, 2006

Hai Kai














Noite leve
Dormi frio
Acordei neve

Luta




















Lutar
retorcer
esmagar a mente
indolente
em busca de certa palavra
da frase certa
na medida certa
fracionada
estacionária
reflexiva...

lutar com a inspirição
sofrer com a transpiração
se tranfigurar
num bobo
sem cortes

até desistir
cansado
suado
com a página em branco...
com a mente em branco...
com a boca suja
e a cara lavada

de poeta
à piada...

Alessandro Paiva

Acepções ¦ substantivo feminino
1 falta de sono; dificuldade prolongada e anormal para adormecer; incapacidade de dormir adequadamente; assonia, insonolência
1.1 Rubrica: psicopatologia. dificuldade de adormecer ou de manter o sono, que excede o período de um mês, independente de problemas de ordem física e sem a utilização de substâncias capazes de alterar o sono; agripnia, anipnia

Insônia física, mental, espiritual... a insônia domina até o mais profundo recanto da minha alma... Agora vem a insônia do coração... que não dorme... apenas vigia... apenas vela pelo sono que já não lhe pertence... mas o sono virá com o passar dos dias... tudo acontece, tudo muda e nada permanece... a instabilidade é o parâmetro base para nosso sentimento de culpa tardio e nossas palavras vazias que um dia podem parecer carregadas de significado... é chegado o tempo de usar a insônia a nosso favor e produzir sem parar... arte, cultura, idéias... que a noite seja nossa amante e musa...
Agora, é o tempo... vamos acabar com a letargia...
Dormir um pouco é bom... mas nada se compara a insônia...
Não deixe sua criatividade dormir...
um pequeno poema para todos os meus amigos noctívagos...

Nada demais!!!
A poesia morreu.
Caiu da cama e fraturou o crânio.
Mas todos os poetas são mentirosos.
(menos quando dizem 'eu te amo')
Eu,
Que nem poeta sou.
Que nem sou nada Demais.
Te amo
E também caí da cama
(acordei cedinho pra ter ver antes de você sair)
Caí, mas só machuquei o meu ego.
Afinal, O amor é cego mesmo.
Mas a pobre poesia morreu
Me deixando só essas palavras sem sentido.
Sinto muito.
Mas você me conhece tão bem...
O quê que tem você dormir perto de mim?
(é só não deixar a porta do quarto aberta)
E como eu não encontro a palavra certa
Enrolo, enrolo...
Mas o importante é que eu te amo.
O resto é poesia...

Nada demais (só pra dizer 'eu te amo')
Alessandro Paiva